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Segurança do Paciente

A preocupação com a Segurança e Qualidade nos Serviços de Saúde vem se intensificado nos últimos anos.

Esta problemática mundial iniciou-se no ano de 1999, em que o Instituto de Medicina (IOM) dos Estados Unidos divulgou um relatório intitulado “Errar é Humano”, relacionado ao Estudo da Prática Médica de Harward (HMPS)¹. A partir de então, o governo americano juntamente com seus fundadores criaram a Agency for Healthcare Research and Quality (AHRQ) que descreve práticas médico-hospitalares mais seguras relacionadas à diminuição dos danos causados aos pacientes.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) criou em 2002 a Rede Sentinela aos hospitais para trabalharem nacionalmente nas questões relacionadas a segurança do paciente, notificando eventos adversos, queixas técnicas ligadas ao uso de produtos para a saúde, medicamentos, sangue e hemoderivados, ações essas denominadas de farmacovigilância, hemovigilância e tecnovigilância.

No ano de 2004, a Organização Mundial da saúde (OMS) lançou formalmente a Aliança Mundial para a Segurança do Paciente por meio da Resolução número 57ª (Assembleia Mundial da Saúde), tendo novamente como recomendação o tema de Segurança do Paciente.

Já 2005, foi lançado o primeiro Desafio Global para a Segurança do Paciente, focando na prevenção e redução de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (IRAS), com o tema “Uma Assistência Limpa é uma Assistência mais Segura”.

O segundo Desafio Global de Saúde do Paciente, em 2007, teve seu foco voltado para a segurança cirúrgica, com o tema “Cirurgias Seguras Salvam Vidas” ².

Entendendo a magnitude da questão e a necessidade de todos os hospitais brasileiros manterem padrões de qualidade nos atendimentos, a ANVISA publicou recentemente a Resolução - RDC Nº 63/11 a qual dispõe sobre as Boas Práticas de Funcionamento para Serviços de Saúde, que entre outros itens contempla a qualidade assistencial e a segurança do paciente.

Check list – Lista de Verificações de Segurança Cirúrgica

A Aliança Mundial para Segurança do Paciente há muitos anos vem tentando mudar este quadro crítico criando projetos que aumentam a segurança do paciente e conseqüentemente diminuam os eventos adversos relacionados às práticas assistenciais e procedimento cirúrgico.

A World Health Organization (WHO), lançou um check-list de averiguação reunindo 19 itens considerados essenciais para serem observados antes, durante e depois das cirurgias, com o objetivo de diminuir a morbimortalidade operatória, denominado de Save Surgery Saves Lives (Cirurgias Seguras Salvam Vidas). 3

Foi permitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que o Manual para uma Cirurgia Segura, primeira edição, pudesse ser reproduzido e traduzido de forma idêntica ao primeiro, para vários países, estando disponível como segunda edição, de forma gratuita na internet.

Este manual é composto por 216 páginas no total. Nas páginas 190 e 191 é possível encontrar uma Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica que inclui algumas tarefas e procedimentos básicos de segurança ao paciente.

Essa lista se divide em três etapas que são decisivas para a segurança do paciente em centro cirúrgico:4

Antes do início da anestesia: nesta fase são verificadas informações sobre o paciente, o local do procedimento, demarcação do sítio cirúrgico em casos de lateralidade (direita e a esquerda), ou ainda estruturas múltiplas (órgãos pares) e níveis múltiplos (níveis da coluna), bem como os documentos certos (anamnese e exames físicos, avaliação pré–anestésica, termos de consentimento informado (cirúrgico/anestésico) e exames complementares, além da checagem e disponibilidade dos equipamentos que farão parte da cirurgia.

Antes da incisão cirúrgica ou TIME OUT: Na pausa cirúrgica/TIME OUT o enfermeiro ou pessoa designada, juntamente com o médico executor do procedimento, anestesista e os demais membros da equipe cirúrgica, realiza a conferência verbal, e em voz alta aspectos como: paciente certo, procedimento certo, local certo, equipamento e materiais (incluindo órtese e prótese) e medicamentos certos disponíveis em sala, assim como documentação correta.  

Neste momento, as discussões das questões críticas sobre a cirurgia devem ocorrer, e é sempre antes do início do procedimento e já em sala de cirúrgica com toda equipe, inclusive o paciente.

Antes da saída da sala: este momento é destinado para a conferência de que tudo saiu conforme planejado. Aqui, a equipe realiza a checagem final da lista de verificação e a devolução dos materiais (agulhas, afastador, entre outros) contagem de gaze e identificação correta do material microbiológico.

Todos os itens da lista devem ser verificados e de forma integral. Havendo uma não conformidade entre a equipe cirúrgica e os itens da lista de verificação, deverá haver uma ação proposta imediata evitando a interrupção da atividade em sala.

“Procedimentos simples e baratos como o check-list, quando aplicados de forma rigorosa e sistemática, têm resultados fantásticos: proporcionam cirurgias muito mais seguras e reduzimos riscos de infecção hospitalar”. Agnelo Define Queiroz, Diretor da Anvisa.

Cuidados simples, como a checagem das informações clínicas da pessoa e do órgão a ser operado e os equipamentos médicos disponíveis, podem fazer a diferença entre o sucesso de uma cirurgia e o início de uma série de complicações para o mesmo.5

Referencial Teórico

1) IOM - The Institute of Medicine. To Err is Human: Building a Safer Health System, Editora: National  Academies Press, EUA,1999.
2) ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Boletim Informativo –Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. v.1 nº1 Jan-jul/ 2011. Disponível em: www.anvisa.gov.br, acesso em: 04/05/12.
3) WHO - World Health Organization. Save Surgery Saves Lives. 1 ed. Geneva. Bull World Health Organization, 2008.
4) OMS - Organização Mundial da Saúde. Cirurgia Segura Salvam Vidas. 2 ed. Rio de Janeiro:Organização Pan-Americana da Saúde; Ministério da Saúde; Agência Nacional de Vigilância Sanitária,2009.
5) ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Brasil se prepara para ter cirurgias mais seguras; março 2009 Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br, acesso em:07/05/12.

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO PARA PROCEDIMENTO DE CIRURGIA (Download)
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO PARA ANESTESIA OU SEDAÇÃO (Download)
CIRURGIA SEGURA - CHECK LIST (Download)

 
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